As bolsas europeias encerraram o pregão no terreno negativo. Londres recuou 1,01%, Frankfurt caiu 2,19% e Paris perdeu 1,92%. Mais uma vez, os bancos lideraram as perdas. Deutsche Bank caiu 5,2%, RBS perdeu 4,4%, Lloyds fechou em baixa de 4,8% e Unicredit declinou 5,8%.
Sistema enfermo
A desconfiança com a saúde do sistema bancário cresce com o risco de calote a cada dia mais iminente na Grécia e outros países da região sufocados pela crise da dívida externa. As ações do banco francês Société Générale, um dos maiores da Europa, caíram 49% entre o dia 1º de julho e ontem, observa o jornal parisiense Le Monde. O diário destaca também a variação das ações de outras duas importantes instituições financeiras francesas: o Banco Nacional de Paris (BNP Paribas) e o Crédit Agricole, cujos papéis desceram 37% e 42% no mesmo período. O sistema está enfermo.
Nos Estados Unidos não foi muito diferente. O índice Dow Jones fechou com queda de 1,57%, para 10.818 pontos; o Nasdaq perdeu 1,62%, para 2.342 pontos; e o S&P 500 recuou 1,50%, para 1.124 pontos.
Ibovespa
Já no Brasil, que como disse a presidente Dilma não é uma ilha de prosperidade no mar da tormenta capitalista, o Ibovespa fechou em queda de 1,29%, aos 52.447 pontos, com giro financeiro de R$ 5,902 bilhões. Neste patamar, o indicador marca perda de 1,9% na semana, 10,8% no mês e 24,3% no ano.
"A semana começou boa e foi ficando cada vez mais negativa com o passar dos dias, atingindo o pico do pessimismo ontem [18]. Hoje foi um dia mais calmo, sem grandes notícias, mas ainda ruim", resumiu Pedro Galdi, analista de investimento da SLW Corretora, em entrevista ao Valor.
Recessão mundial
Os motivos para o mau humor do mercado são conhecidos. As debilidades das economias europeia e estadunidense ameaçam arrastar o globo para uma nova recessão. Os sinais de que o mundo caminha nesta direção são crescentes. Não se resumem à desvalorização dos papéis negociados nas bolsas. Também são notáveis na chamada economia real.
Relatório divulgado pelo JP Morgan deixou os investidores ainda mais pessimistas. O banco prevê que a economia americana deve crescer menos do que o previsto nos próximos dois trimestres, ante o recuo da confiança do consumidor e a falta de ímpeto no mercado imobiliário.
Economia real
O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos vai crescer 1% no quarto trimestre deste ano, em vez dos 2,5% previstos anteriormente. No primeiro trimestre de 2012, a economia deve expandir-se 0,5%, e não 1,5%, a julgar pelo JP Morgan. Foi a terceira instituição na semana a reduzir a expectativa de expansão do PIB dos EUA, seguindo-se ao Morgan Stanley e ao Citigroup.
A situação do mercado de trabalho norte-americano tende a piorar. O Bank of America anunciou a intenção de demitir 3,5 mil bancários. A empresa, que perdeu quase metade do valor acionário ao longo dos últimos meses, já condenou ao olho da rua 2,5 mil trabalhadores neste ano. O jornal New York Times (NYT) informou que pode haver mais enxugamento de pessoal, com a possibilidade de o número total de cortes alcançar a marca de 10 mil.
O mercado também foi notificado nesta sexta que o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) da Alemanha apresentou alta de 0,7% em julho na comparação com junho e de 5,8% frente a julho do ano passado. Os porcentuais superaram as previsões de analistas, de altas de 0,1% na comparação mensal e 5,6% na anual, e reduz a alternativa de redução da taxa de juros na Europa.
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