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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Cresce a tensão na economia capitalista

O pânico estimulado pela perspectiva de uma nova recessão mundial ampliou os prejuízos nos mercados de capitais ao longo desta semana, encerrada nesta sexta, 19, com novas baixas, depois do terremoto que sacudiu as bolsas no dia anterior.

As bolsas europeias encerraram o pregão no terreno negativo. Londres recuou 1,01%, Frankfurt caiu 2,19% e Paris perdeu 1,92%. Mais uma vez, os bancos lideraram as perdas. Deutsche Bank caiu 5,2%, RBS perdeu 4,4%, Lloyds fechou em baixa de 4,8% e Unicredit declinou 5,8%.

Sistema enfermo

A desconfiança com a saúde do sistema bancário cresce com o risco de calote a cada dia mais iminente na Grécia e outros países da região sufocados pela crise da dívida externa. As ações do banco francês Société Générale, um dos maiores da Europa, caíram 49% entre o dia 1º de julho e ontem, observa o jornal parisiense Le Monde. O diário destaca também a variação das ações de outras duas importantes instituições financeiras francesas: o Banco Nacional de Paris (BNP Paribas) e o Crédit Agricole, cujos papéis desceram 37% e 42% no mesmo período. O sistema está enfermo.

Nos Estados Unidos não foi muito diferente. O índice Dow Jones fechou com queda de 1,57%, para 10.818 pontos; o Nasdaq perdeu 1,62%, para 2.342 pontos; e o S&P 500 recuou 1,50%, para 1.124 pontos.

Ibovespa

Já no Brasil, que como disse a presidente Dilma não é uma ilha de prosperidade no mar da tormenta capitalista, o Ibovespa fechou em queda de 1,29%, aos 52.447 pontos, com giro financeiro de R$ 5,902 bilhões. Neste patamar, o indicador marca perda de 1,9% na semana, 10,8% no mês e 24,3% no ano.

"A semana começou boa e foi ficando cada vez mais negativa com o passar dos dias, atingindo o pico do pessimismo ontem [18]. Hoje foi um dia mais calmo, sem grandes notícias, mas ainda ruim", resumiu Pedro Galdi, analista de investimento da SLW Corretora, em entrevista ao Valor.

Recessão mundial

Os motivos para o mau humor do mercado são conhecidos. As debilidades das economias europeia e estadunidense ameaçam arrastar o globo para uma nova recessão. Os sinais de que o mundo caminha nesta direção são crescentes. Não se resumem à desvalorização dos papéis negociados nas bolsas. Também são notáveis na chamada economia real.

Relatório divulgado pelo JP Morgan deixou os investidores ainda mais pessimistas. O banco prevê que a economia americana deve crescer menos do que o previsto nos próximos dois trimestres, ante o recuo da confiança do consumidor e a falta de ímpeto no mercado imobiliário.

Economia real

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos vai crescer 1% no quarto trimestre deste ano, em vez dos 2,5% previstos anteriormente. No primeiro trimestre de 2012, a economia deve expandir-se 0,5%, e não 1,5%, a julgar pelo JP Morgan. Foi a terceira instituição na semana a reduzir a expectativa de expansão do PIB dos EUA, seguindo-se ao Morgan Stanley e ao Citigroup.

A situação do mercado de trabalho norte-americano tende a piorar. O Bank of America anunciou a intenção de demitir 3,5 mil bancários. A empresa, que perdeu quase metade do valor acionário ao longo dos últimos meses, já condenou ao olho da rua 2,5 mil trabalhadores neste ano. O jornal New York Times (NYT) informou que pode haver mais enxugamento de pessoal, com a possibilidade de o número total de cortes alcançar a marca de 10 mil.

O mercado também foi notificado nesta sexta que o Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) da Alemanha apresentou alta de 0,7% em julho na comparação com junho e de 5,8% frente a julho do ano passado. Os porcentuais superaram as previsões de analistas, de altas de 0,1% na comparação mensal e 5,6% na anual, e reduz a alternativa de redução da taxa de juros na Europa.

Contina a leitura aqui:

sábado, 13 de agosto de 2011

Esta não é a crise definitiva do capitalismo, diz professor da Unicamp

Com o objetivo de compreender, analisar e debater a crise financeira e econômica mundial, o Blog Além de Economia em conjunto com o site da revista CartaCapital, está promovendo uma série de entrevistas neste mês de agosto.

Para esta segunda rodada de entrevistas, convidamos o Professor José Carlos de Souza Braga, economista, Livre Docente do Instituto de Economia da Unicamp, com Pós-Doutorado pela Universidade de Berkeley, California, USA e Diretor Executivo do Centro de Estudos de Relações Econômicas Internacionais (CERI-Unicamp).

De acordo com Braga, o Brasil está em melhores condições para enfrentar a instabilidade mundial, entretanto, não se pode permitir a deterioração do balanço de pagamentos. Enfrentar a crise quer dizer; mais Estado, tanto do ponto de vista quantitativo, como qualitativo.

Confira abaixo a entrevista:

Além de Economia/CartaCapital: Nos últimos tempos o capitalismo está em uma busca insana de obter lucros e aumento da renda sem passar pelas agruras do processo de produção. A que se deve esse processo? Que consequências pode se observar no sistema econômico?

José Carlos de Souza Braga: É próprio do capitalismo desenvolver tanto a acumulação de lucros pela produção como pela via financeira. Afinal o conceito de capital financeiro é a fusão das formas parciais de riqueza; logo a fusão da forma lucro e da forma juros. No capitalismo atual até as empresas industriais e comerciais de peso ganham com o chamado lucro operacional e também com o lucro financeiro. Mas, além disso, desde o rompimento dos acordos de Bretton Woods que regulava a economia internacional, emergiu o capitalismo financeirizado, ou seja, aquele em que a dominância financeira é o caráter principal. A dinâmica de expansão/crise, par indissolúvel no movimento capitalista ganhou outras feições. A principal conseqüência é que as crises de desvalorização da riqueza financeira necessariamente são contornadas com o apoio dos governos via bancos centrais e tesouros nacionais. Os estados nacionais viram reféns dos proprietários dessa riqueza: os bancos, as empresas de grande e médio porte, os investidores institucionais e as famílias de elevada riqueza.

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